Desatino 17

Desatino / 17 [O futuro já chegou]

 

»»»»» — Que futuro há para mim? — diz um jovem trabalhador a recibos nem verdes nem cor-de-burro-quando-foge, apenas recibos inscritos na água das enxurradas orçamentais.

»»»»» Ele e os seus benévolos patrões fizeram as contas ao que seria se ele recebesse legalmente o seu salário, ou seja, fosse pago a recibos verdes, ou qual seja a cor que se lhes queira ver, e concluíram que, com todos os descontos de segurança social, imposto (IRS), taxa vá-se-lá-saber-de-quê, etc., este jovem trabalhador não só não receberia nada mensalmente pelo seu trabalho de cada mês, como teria de pagar alguns euros para além dos seus putativos ganhos.

»»»»» Ouvi-o pacientemente, céptico quanto às suas contas, talvez baralhadas e agravadas pelo facto de ele entreter dois magros part-times. Enfim, ouvi-o e calei-me. Mais tarde pensei iluminado que assim o futuro se perfila, e o progresso se desenha pelas mãos de extraordinários burocratas-governantes  — não haverá maior, mais grandioso futuro para o progresso, quando todos tiverem de pagar algum para terem o privilégio de exercer qualquer actividade laboral?

»»»»» [Agradecimentos a David, pela conversa, e a Rui pelas correcções sugeridas.]

 

António Sá

[28.01.2013]

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