notas & noções.8

notas & noções.8                                                                                      

»»»»» Fez-se a “União Europeia”, provida entretanto de um quadro normativo progressivamente aplicável nos países integrantes. Instituiu-se o euro enquanto moeda única para usufruto actuante e futuro da Europa-boa-e-próspera-até-ver. Todo o conspecto de uma criação “laboratorial” de estadistas-cientistas com uma “visão-de-futuro”. Por legítima suposição contemporânea, há-de dar-se por suposto e até pressuposto que desde os tempos babilónicos, e antes até, nenhum estratega, nenhum chefe-de-clã, etc., etc., terá tido uma “visão-de-futuro”; mas também se pode supor o contrário, ou seja, que demasiados tiveram demasiada “visão-de-futuro” e a implantaram denodadamente, sem fazerem muitas perguntas aos pacientes de tais “visões-de-futuro” (*), fossem elas bélicas, fossem pacíficas, as duas faces de uma “moeda única”. Toda a “visão-de-futuro”, para ser posta em prática, exige uma engenharia “laboratorial” que faz recurso, por exemplo: à “ciência” da época em que se produz — seja a dos arúspices, seja a da física nuclear ou da aceleração de partículas; e aos recursos e saberes económicos e geoestratégicos dos lugares terrestres onde o milagre da “visão-de-futuro” conheceu a sua emergência, e pretende aplicar-se e, desde logo, expandir-se.

»»»»» Mas as “visões-de-futuro” contemporâneas e europeias têm um selo de garantia que as torna mais produtivas, mais limpas, mais sublimes que todas as “visões-de-futuro” de estrategas-visionários de todos os passados. Pelo que se pode concluir que a “União Europeia” é uma criação mais “laboratorialmente” sublime. Tal sublimidade há-de ser o corolário da nossa elevação, europeus, aos céus etéreos da razoabilidade, da equanimidade, da salubridade, da prosperidade, da racionalidade, da tranquilidade, da felicidade. Assim há-de ser (**).

 

Notas:

»»»»» (*) Tais “visões-de-futuro” compreendem grandes empreendimentos nos sectores do imobiliário e da engenharia, etc.: ocorre-me desconfiar se tais empreendimentos não são o índice dos desequilíbrios existentes à escala mundial: os desequilíbrios entre a, mais que suficiência, abastança europeia, em contraste com a, por exemplo, indigência africana, não no todo, decerto, mas em vastas regiões desse continente.

»»»»» (**) Há ironia e acrimónia neste último parágrafo. No entanto, nada me move contra qualquer “União” — europeia, africana, etc. Seria aliás despropositado, estulto, tal movimento. As reticências que coloco são relativas ao conjunto de regras comuns aplicadas indiscriminadamente a países mais-que-diversos na geografia, na economia e na história; e, sobretudo, à instituição do euro, o tipo de coisa idealista que me inspirou desde logo resistência mental, que não me esmorece, antes pelo contrário. [22.06.2015]

 

António Sá

[26.05.2015/14.06.2015]

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