notas & noções.14

notas & noções.14                                                                                    

»»»»» Caminhar só por caminhar, sem destino definido, enquanto modo de pensar. Ao andar sem objectivo não nos preocupa o percurso, nem o destino nos apressa. Para isso convém que conheçamos os lugares, que devem ser vastos, por onde andamos, e nos sintamos seguros neles; convém não os estarmos descobrindo, nem estarmos arriscando perder-nos. Ressalvado este pressuposto, podemos caminhar sem destino, ou indiferentes ao destino, e deixar que os pensamentos se encadeiem.

»»»»» As informações que no nosso cérebro se acumulam, as interpretações a partir delas variamente formuladas, as linhas de pensamento que nos são familiares, tudo isto se encadeia e redistribui e produz formas diversas de perceber o que nos rodeia e o que somos. Assim, este deambular é talvez o modo mais gratificante de estarmos sós.

»»»»» E esta não é necessariamente uma actividade passiva nem dolente. A gestação de ideias é um acto activo. Além de que o movimento de caminhar pode acelerar-se e objectivar-se em muito activa, intencional marcha. Ao convocar a célebre Marcha sobre Washington, realizada a 28 de agosto de 1963, I have a dream, discursou ele, Martin Luther King (1929-1968) inspirava-se na leitura de Henry David Thoreau (1817-1862), apologista das caminhadas meditativas, e cujas meditações o levaram à formulação hoje mais útil do que nunca, embora quase nunca posta em prática: “desobediência civil”.

António Sá

[17.08.2015]

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