Desatino 63

Desatino / 63 [Sacrifícios prandiais]           

 

»»»»» Esta minha amiga, com a qual vou jantar esporadicamente a um restaurante popular, procede a um ritual sempre-o-mesmo há vários anos, que consiste em escolher os pratos mais ricos em sabor e, quase por consequência, mais inflacionados em sal, molhos, gorduras e calorias. Ela não o ignora, por isso no próprio momento em que está a fazer o pedido ao empregado, queixa-se-me de que aquele prato é um conglomerado de produtos culinários devastador para a saúde — e para a sua legendária dieta, sempre a começar e a acabar logo. Ela lamenta-se-me antes, durante e depois da refeição, resmunga olhando o prato com raiva, protesta a cada garfada, “olha-me só esta porcaria!”, ela é assim vítima de um sacrifício prandial inenarrável. E fala-me da sua mítica dieta, sempre a começar. Eu solidarizo-me, encorajo-a: estou certo, enfim, de que a dieta seguirá dentro de momentos mas, entretanto:

»»»»» — Eu — ela informa — já engordei mais um bocadinho ultimamente.

 

António Sá

[01.02.2016]

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