Distracção 53

Distracção / 53 [Da comédia à tragédia]

 

»»»»» Se há alguma coisa que aprecie na filosofia do meu filósofo-no-seu-jardim é esta: ele erra sempre as perspectivas futuras por onde o seu filosofar se abalance. Um exemplo flagrante foi o de ele me ter declarado, com solenidade no gesto e na voz, que o povo dos Estados Unidos nunca elegeria nem um negro nem uma mulher para a presidência do país — isto meses antes da primeira eleição de Barack Obama. Enganou-se portanto no primeiro palpite, nem um negro, mas esqueceu-se deste engano, o muito álcool faz destas coisas, e persiste no outro engano, nem uma mulher, não crendo que Hillary Clinton ganhe as eleições — mas abominando Donald Trump. Eis o que ele me declarou agora, dias antes das eleições, reclinado no seu banco-de-jardim, agarrando a garrafa de vinho contra o peito, e não sem me cravar antes a moeda de euro que, ocasionalmente, eu lhe esmolo:

»»»»» — Os Estados Unidos vão ser alvo da chacota de todo o mundo inteligente, por via da sua figura presidencial. Vai proliferar o anedotário-Trump. Isto, até a comédia burlesca se transformar em tragédia universal, que a natureza do homenzinho é da ordem do desvario e, ainda por cima, ele será sempre inimputável — foi o povo que o quis lá.

 

António Sá

[02.11.2016/05.11.2016]

 

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