Monthly Archives: March 2017

notas & noções 8 (2ª série)

notas & noções 8 (2ª série)

 

ordem e ordem nenhuma

»»»»» Fechei o texto anterior desta série com uma citação de Marco Aurélio (121-180), abro este com outra, apontando no mesmo sentido (e uso aqui esta palavra enquanto sinónima de “direcção”):

»»»»» “Uma de duas, ou um mundo perfeitamente ordenado, ou uma massa de matéria que para aí amontoaram sem ordem nenhuma.”

»»»»» Esta frase claudica por excessos quanto a ambas opções, que não se excluem uma à outra. E vou tentar explicar tais excessos a seguir:

»»»»» O mundo conhecido obedece a certas leis (vulgarmente ditas leis da natureza) que o organizam; e a certas irrupções que lhe suspendem ou destroem tais leis orgânicas que aparentemente o regiam: assim será impossível conceber um universo ordenado ao pormenor, “perfeitamente ordenado”, tanto quanto a palavra “ordenado” remete para “ordem”, na acepção comum. Por exemplo, a atracção de um qualquer corpo celeste, um planeta, ou mesmo uma nave espacial, para um buraco-negro, suspende irremediavelmente a ordem ou as leis orgânicas vigentes nesse planeta ou nessa nave espacial, e até a sua respectiva integridade, desintegrando-o. A não ser que se considere a anulação da matéria inerente ao regime de um buraco-negro enquanto participando da “ordem do universo”, mas então esta ordem integrará a imersão de tudo o que existe em episódios de caos desintegrativo e, participando a desintegração de uma ordem geral, absoluta, desaparece a distinção entre ordem e caos.

»»»»» Não se pode prever em que regiões do universo sairão, dispersas, as partículas em que se desintegra um objecto que entre num buraco-negro: segundo Stephen Hawking, partículas podem sair de um buraco negro, ao tempo em que este entre num processo de perda de massa. Esta imprevisibilidade, a nível cósmico, pode também ser exemplificada a nível terrestre, com as erupções vulcânicas e outros fenómenos naturais de carácter pontual, como a queda de um meteorito e, claro, a nossa própria queda acidental. Assim, sendo infinito o grau de imprevisibilidade no curso do universo e dos acontecimentos imediatos, pode ser um exagero, a partir de regularidades observáveis na natureza, postular uma “ordem do universo” ou, na expressão de Marco Aurélio, “um mundo perfeitamente ordenado”.

»»»»» Enfim: é decerto contestável que a matéria que nos constitui e nos rodeia seja uma “massa” amontoada “sem ordem nenhuma”. Enquanto organismos integrados, podemos fazer tranquilamente a vida de todos os dias, mantendo a nossa regularidade, acreditando nas “leis naturais” que regem o nosso mundo, sem recearmos tropeçar num meteorito, ou sermos engolidos por um buraco-negro. Vivemos uma ordem, uma “harmonia universal” — mas só aparente. Esta ordem contém em si o caos, uma vez que tudo o que existe tende a ser desintegrado, reduzido a partículas, a nada… é o assunto de muita poesia escrita pelos séculos fora.

 

 

»»»»» NOTAS:

»»»»» 1) O parágrafo de Marco Aurélio foi colhido em Pensamentos (Livro IV, 27). Utilizei a edição que tinha mais imediatamente disponível, da Editorial Verbo / Livros RTP, 1971, tradução de João Maia.

»»»»» 2) O funcionamento dos buracos-negros é explicado no capítulo 11 da obra de Stephen Hawking Buracos negros e universos bebés, Edições ASA, 2ª ed. 1994 (1ª ed. em inglês: 1993).

 

 

António Sá

[08.03.2017/24.03.2017]

 

 

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Quatro castelãs no seu castelo

Quatro castelãs no seu castelo

 

 

»»»»» Nota: as duas fotos que acompanham este texto são a preto-e-branco, mas o filme é scopicamente e luxuosamente em CinemaScope, De Luxe Colour.

 

»»»»» CinemaScope, De Luxe Colour, estes são os meios necessários para se visualizar o esplendor dos longos cabelos, ou soltos ou caprichosamente penteados, de quatro noras, todas ainda jovens e todas, menos uma, não se sabe qual, já viúvas. As esplêndidas cabeleiras são: uma ruiva, outra negra, as outras duas louras: uma louro-platina, outra louro-dourado. Todas correspondem a mulheres de caracteres e temperamentos diversos, sendo a morena a mais sensual e aparentemente letal, tratada pelo protagonista como quem domestica um animal selvagem. Quatro mulheres assim cromáticas no écran, espectacularmente e diversamente hipervestindo-se, hipertoucando-se, eventualmente cantando e dançando para esse homem que aportou baleado à propriedade onde viviam, castelãs lá enclausuradas. Ele é um aventureiro de espertíssima perfídia, cinismo, amoralidade, e elas são quatro noras de uma anciã tirânica ferozmente, espingarda sempre pronta para qualquer disparo certeiro, discurso e olhar cortantes, impiedosos. Esta anciã é Ma McDade (Jo van Fleet), únicos cabelos grisalhos do filme The king and four queens (Raoul Walsh, 1956), e o aventureiro é Dan Kehoe (Clark Gable), rei provisório daquele castelo, caninamente, milimetricamente defendido por essa intangível actriz que foi Jo van Fleet, falsa anciã de trinta e quatro anos na vida, caracterizada para ser anciã neste filme, tal como naquele pelo qual é mais conhecida, onde contracena com James Dean: East of Eden (Elia Kazan, 1955).

 

 

Dan Kehoe (Clark Gable) no solo, baleado por Ma McDade (Jo van Fleet)

»»»»» É uma história de ouro, um western em que o ouro é objecto que todos mobiliza, para todos os males e para um relativo bem final, mas que não se vê senão em abstracto, subsumido na maleta enterrada nos arredores da casa, e depois em sacos de pano, alguns deles atirados para a poeira do caminho. E ninguém está a salvo das ambições e perversidades que o “vil metal”, na expressão de Camões, suscita. Este ouro que a todos consome, que se perde para muitas (todas, excepto uma) e de que poucos usufruem, apenas os mais maquiavélicos, e só parcialmente, a saber, Dan Kehoe (Clark Gable) e a ruiva Sabina McDade (a belíssima Eleanor Parker); este ouro lembra-me um outro ouro perdido, mas mais decididamente moralizante, o do conto O tesouro, do já inefável Eça de Queiroz, publicado na “Gazeta de Notícias” em1894; e ainda um outro ouro, que fica dolosamente “bem entregue” nas mãos “insuspeitas” de um xerife (Henry Fonda), esses sacos de ouro do lucidamente implacável There was a crooked man (Joseph L. Mankiewicz, 1970).

»»»»» Um nódulo portador de sentidos icónicos que transcendem a materialidade do representado, polarizando o imaginário, suscita-me a tensão-atenção — nódulo constituído pela série de planos concomitantes à acção do filme, que expõem a arquitectura, o conjunto edificado que habitam as quatro noras sequestradas pela sogra ferozmente armada não só da espingarda-a-prolongar-o-braço, mas de um exemplar da Bíblia que a municia de feroz conceptualização dos laços humanos: a memória dos seus filhos mortos, excepto um não-se-sabe-qual, só ela sabe e não o revela para manter as noras sob suspense e controle e respeito por essa memória, mesmo sendo memória de delinquentes relapsos, filhos-dela e maridos-das-noras, três dos quais mortos em confronto com as forças da ordem, estando o outro foragido. As quatro respectivas mulheres são assim as four queens e estão condenadas à abstinência perpétua, pelo menos até que apareça o foragido, para isso ali a sogra as enclausura.

 

Ma McDade (Jo van Fleet) faz badalar o sino entre três das suas noras McDade, faltando Sabina McDade (Eleanor Parker)

»»»»» Mas regressando ao conjunto edificado: difícil descrevê-lo. Surge por primeira vez num plano-de-conjunto: edifícios oblongos, compósitos, aplastados na paisagem árida, aberta; enegrecidos de uma fuligem intemporal, parcialmente derruídos. Na aparência um fortim, com anexos de tipo rural, conjunto de edificações isoladas num extenso vale protegido por montes rochosos, um forte usado na defesa contra os ataques dos índios, durante a saga de expansão para oeste, mas agora em abandono. O seu isolamento na paisagem evoca as muralhas de um castelo medieval que o tempo escureceu e vai corroendo, de que restem ainda troços de muros, uma torre sineira a emergir do destroço que fora uma igreja, além de um corpo central coeso e habitado. É o décor da maior parte da acção do filme, exteriores decadentes, interiores acomodados. Trata-se enfim de um castelo de épocas mais recentes, século XIX fictivo, sendo as castelãs as quatro coloridas noras, e a guardiã do castelo e da abstinência sexual. essa feroz sogra, personificação da lei ali vigente (diz ela, numa sibilina réplica a Dan Kehoe: “Aqui a Lei não entra”). A assegurar-me quanto a uma aproximação medieva, fixo-me na sequência em que este décor aparece primeiro: o cavaleiro, não medieval, apenas “herói” amoral deste filme, atravessa a ponte, que é de madeira mas não levadiça, e nessa travessia é ferido quase-de-morte pela guardiã, cujo tiro insuficientemente certeiro, para mal dela, sua futura despossessão do tesouro, não mata o intruso. Ocorre-me de seguida, associação divagante, o cavaleiro da ponte, tal como Bernardim Ribeiro no século XVI o imaginou, e assim como a imagem medievalista me ocorre, assim anacrónica a deixo aqui.

 

 

Referências

»»»»» Cinema: The king and four queens (Raoul Walsh, 1956); East of Eden (Elia Kazan, 1955); There was a crooked man (Joseph L. Mankiewicz, 1970).

»»»»» Escrita: Camões, Eça de Queiroz, Bernardim Ribeiro.

 

 

António Sá

[14.02.2012 / revisto a 18.03.2017]

 

O patético enquanto instância artística (“A morte de Maria Malibran”)

O patético enquanto instância artística (“A morte de Maria Malibran”)

 

»»»»» Exaustiva, acabada expressão da instância do patético, assim entendo Der Tod der Maria Malibran (A morte de Maria Malibran, Werner Schroeter, 1972). Tal expressão consubstancia-se nas infindáveis sequências de rostos femininos muito produzidos, maquilhados até ao regime de máscaras vivas, mais frequentemente dois, por vezes três rostos, os das actrizes Magdalena Montezuma, Christine Kaufmann, Ingrid Caven e outras, sempre em grandes-planos e planos-de-pormenor, rostos que se aproximam muito lentamente, numa atracção lânguida, um indecifrável êxtase mútuo.

Resultado de imagem para a morte de maria malibran de werner schroeter

»»»»» No decurso da construção-fusão magmática do filme, onde a regularidade são esses grandes planos recursivos de rostos femininos aproximando-se e rasando-se cariciosamente, essa instância do patético é pontuada por incursões no grotesco, em sequências onde vemos a Malibran, mítica cantora de ópera do século XIX, a vacilar penosamente num túnel ao fundo de um caminho rústico, ladeado de grades em ruína, e se ouve em off a referência à sua loucura, se conta como era apedrejada por crianças e as perseguia com um bastão; e a referência à sua pantanosa perdição, pântanos literais e simbólicos, a que se juntam citações relativas à morte aquática de Ofélia. Outras citações de Shakespeare ocorrem, noutros momentos, a respeito de Hamlet e do seu inescapável destino de vingança, e aqui é o trágico que se institui, mas o fio contínuo e condutor a que sempre se regressa é o do patético impresso nesses rostos inexpressivos em atracção inconclusa; só muito no final, numa coda, a aproximação de dois rostos vem a selar-se num beijo estático, boca contra boca.

Resultado de imagem para a morte de maria malibran filme

»»»»» Mas o grande contraponto ao patético é a emergência da crueldade, corporizada na figura paterna travestida de mulher, que vem a ser a actriz Magdalena Montezuma envergando fraque e chapéu alto. A crueldade consiste no acto de extracção, por este progenitor travestido, de um dos luminosos olhos azuis da Malibran, para que ela receba uma côdea de pão, na contingência de uma travessia pela floresta coberta de neve. A primeira imagem do filme é o plano-de-pormenor de uma incisão sangrenta na base da cavidade ocular. A insustentabilidade de tal violência é atenuada pelo esteticismo da imagem: só a parte inferior, abaixo do olho azul, sangra, o olho permanece intacto. Mas a imaginação do acto, assim elidido, arrepia. Esse plano-de-pormenor inicial reaparecerá mais tarde, reiteradamente, em momentos finais.

Resultado de imagem para a morte de maria malibran de werner schroeter

»»»»» Excurso: arrepiantes, insustentáveis foram as imagens explícitas da invasão de globos oculares em filmes com L’âge d’or (Luis Buñual, 1930); Saló (Pier Paolo Pasolini, 1975); e um filme de Ingmar Bergman, cujo título não recordo agora, em que um casal idoso em conluio depressivo se vasa os olhos; e mal-incluo Edipo re (Pier Paolo Pasolini, 1967), porque esqueci a cena.

»»»»» Regressando ao filme de Schroeter, se nele se convoca a loucura e a crueldade, no contexto do seu fundamental patético, também se revela um filme eminentemente musical. É constante o fluxo musical e passa, obviamente, pela ópera, além de outras peças clássicas do Romantismo; algum kitsch latino e, sobre imagens de urbanismo contemporâneo, um tema do repertório de Marlene Dietrich.

 

António Sá

[21.01.2017]

 

notas & noções 7 (2ª série)

notas & noções 7 (2ª série)

 

não há consolação

»»»»» Dois usos para a palavra sentido, que inscrevi nas notas & noções anteriores: o uso leve, em frases como “com esta vitória, a minha vida ganhou novo sentido”, caso em que escrevo sentido sem aspas, e leio como significado (ou, extensivamente, objectivo, propósito); e o uso pesado, em “há um plano e um sentido divinos para a Criação”, e aqui sentido aponta para finalidade, fins últimos, sendo que, neste caso, escrevo a palavra com aspas, deixo assim em suspenso o seu valor significativo, mas trata-se de um uso particular-meu das aspas.

»»»»» E não retomo a clarificação do meu desentendimento com o “sentido”, enquanto “sentido” universal da vida, noção que considero inválida: já clarifiquei tal desentendimento, e até profusamente, em quase todas as notas & noções anteriores. Avanço agora para o aspecto subsequente, que consiste em expor as consequências ou, de modo mais preciso e mais justo, as autoconsequências desta invalidação. Aflorei-as já em notas & noções 2, onde escrevi:

»»»»» E não é, não tem de ser, com um sentimento de desconsolo, nem qualquer modalidade do desespero, que vivo tal ausência de “sentido”, não estou a abdicar do que os meus sentidos despertos actualmente me proporcionem, nem do prazer do raciocínio, da reflexão, da escrita. Será antes um sentimento de tranquilidade, de paz cósmica, assim entregue, sem teias de aranha místicas, nem culturais, na cabeça, entregue assim ao meu devir no seio do devir do universo.

»»»»» E também, de modo mais sucinto, em notas & noções 4:

»»»»» Não ressinto, enquanto falta, a ausência de “sentido” de tudo o que existe, enquanto existe, mas antes o considero ambiente natural humano em que tranquilamente me movimento, líquido amniótico.

»»»»» Tanto num excerto como noutro, descrevo um sentimento construído, ou seja, resultante de uma longa elaboração mental e sentimental, decorrente do processo de viver, elaboração em parte intuída e subterrânea (como se fosse pensando, mas não me esforçasse por trazer isso a uma luz clara); e em parte consciente e lúcida. Enfim, uma intuição-pensamento, ciclicamente mais intuição ou mais pensamento, que se sedimenta no que traduzo pela fórmula do início: sentimento construído. Mas o processo de construção, lento que foi, foi semeado de momentos e fases desse desconsolo-que-não-tem-de-ser, do convívio estreito com o absurdo do tempo e a obsolescência da matéria. Actualmente pacifica-me tal assunção, inspira-me essa paz cósmica, como enunciei; constitui o líquido amniótico onde me movo. É um sentimento construído estável, e nele confio, mas nada me garante a sua permanência, visto que nada no espírito humano pode ser considerado permanente. E não exclui uma espécie de luta constante contra um ocasional, acaso recorrente desânimo, face a cada mínima tarefa cotidiana que há que realizar-para-quê?, porque estar activo é condição necessária enquanto ser-individual e ser-em-relação. Desconsolo provisório, quando se alinham inúmeras tarefas repetitivas, de organização, de sobrevivência. No ensaio The silence of animals, John Gray aponta o caso do imperador Marco Aurélio (121-180) que, tendo de assegurar o cumprimento dos seus deveres, se fortalecia na ideia de que cada pessoa tem um lugar, um papel a desempenhar no esquema “natural” do mundo, e assim institui a natureza enquanto modo ordenador do mundo. No entanto… Marco Aurélio considerou só um aspecto da natureza… Esqueceu que a natureza é não só o modo da ordem, da harmonia, mas ainda o modo da desordem, da entropia.

»»»»» Tal como não encontro consolação no conceito cristão de um “sentido divino”, também esta consolação “natural” (tanto de natureza social, quanto da ordem dos acontecimentos), que Marco Aurélio adopta, não me é suficiente, ainda que a paciência (atributo do “justo”, na sua terminologia) seja um instrumento indispensável na condução da vida.

»»»»» Identifico-me antes com a configuração freudiana, exposta no ensaio acima citado, que consiste em aceitar simplesmente o caos. E acrescento e particularizo: o caos e a dissolução das sociedades, das nações, do universo; caos e dissolução finais, tão inevitáveis quanto irresolúveis e, para mim, não passíveis de efeitos mágico-transcendentais. No quadro freudiano, a psicanálise não se destinaria a “curar” os seres enquanto indivíduos, mas levá-los a aceitar o seu destino pessoal, constitucionalmente inescapável desde a primeira infância; pressupondo, entretanto, uma margem de liberdade e livre decisão.

»»»»» E acrescento enfim que Marco Aurélio, com muita propriedade, manifesta uma concepção do binómio caos / ordem, no seguinte parágrafo:

»»»»» “Estarás tu descontente da sorte que te coube no grande todo? Lembra-te então da disjuntiva: ou há uma providência ou mero concurso de átomos, e repassa as provas com as quais te demonstravam que este mundo está ordenado como uma cidade.”

»»»»» Bons tempos seriam esses, os de Marco Aurélio, em que a ordem da cidade… e do império… se afiguravam coisas fiáveis. Pela minha parte, confio mais no “mero concurso de átomos”; concurso este, repito, sem desnecessários “efeitos especiais” de teor mágico-transcendental.

 

 

»»»»» NOTAS:

»»»»» 1) Fiz recurso, como ficou escrito, ao ensaio de John Gray The silence of animals, on progress and other modern myths, Penguin Books, 2014 (Allen Lane, 2013).

»»»»» 2) O parágrafo de Marco Aurélio foi colhido em Pensamentos (Livro IV, 3). Utilizei a edição que tinha mais imediatamente disponível, da Editorial Verbo / Livros RTP, 1971, tradução de João Maia.

 

 

António Sá

[11.02.2017/05.03.2017]