Desatino 78

Desatino / 78 [Um voto ecuménico]           

 

»»»»» Para que todos possam reivindicar vitória nestas eleições autárquicas, tipo de eleições, aliás, em que todos e cada um sempre clamam vitória por isto e por aquilo… pois para que isso seja mais verdade, supõe-se que há que votar em todos os que, corajosamente, se candidataram a eleições, para o bem e para o mal… bem e mal deles e nosso, inocentes votantes… Eu explico: votar em todos significa mesmo votar em todos, trata-se aqui de um voto generosamente ecuménico, como com alegria declarou uma senhora, falando espontaneamente a propósito de umas eleições anteriores.

»»»»» Estou-me reportando a uma senhora do povo que, numa conversa captada pela câmara de Miguel Gomes, no Portugal profundo, explica às amigas como vota: põe uma cruzinha em todas as casas: “assim ninguém se fica a rir”. Este é, enfim, o voto ecuménico: e ninguém se fica a rir, ou ficam todos a rir-se. O filme em causa é As mil e uma noites: volume 1, o inquieto (Miguel Gomes, 2015), e este caso da feliz votante já o referi no Desatino 55 [Como votar], focado na crise dos trocos, ou da falta deles, que os portugueses e os bancos portugueses andavam a tentar resolver.

»»»»» Também expliquei na altura, para quem não se dá bem com quaisquer anarco-humorismos, que eu não vou nessa, ponho o meu voto numa casinha só…

»»»»» E enfim, para dar testemunho do meu civismo, faço votos de que votem, é imperativo votar, em-consciência ou em-inconsciência, à vossa escolha.

 

 

António Sá

[30.09.2017]

 

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