Tag Archives: John Gray

Pluriplicante 7

Pluriplicante 7 (… sobre o futuro anarcocapitalista)

Esboços pluriplicantes das razões e desrazões, dos retratos e desretratos dos cotidias.                                                          

 

 

»»»»» Transcrevo um parágrafo de uma obra de John Gray, referenciada no final:

 

»»»»» Todas as tentativas de modernização da Rússia através da adopção de um modelo ocidental falharam. Isto não significa que a Rússia não seja moderna. Muito pelo contrário, tornou-se pioneira do que poderá vir a revelar-se como a forma mais avançada do capitalismo. Das cinzas do Estado soviético emergiu uma economia hipermoderna — um anarcocapitalismo de alicerces mafiosos que se expande para Ocidente. A globalização do crime organizado russo verifica-se numa época em que as indústrias ilegais — droga, pornografia, prostituição, ciberfraude e actividades similares — são os verdadeiros sectores dinâmicos da maior parte das economias avançadas. O anarcocapitalismo russo dá abundantes sinais de poder vir a superar o capitalismo ocidental nesta nova fase de desenvolvimento.

 

»»»»» Em relação a este parágrafo, limito-me a fazer três observações e uma objecção:

»»»»» 1ª observação) Estes “alicerces mafiosos” da economia russa (entre outras economias) são comuns às actuais e multioperacionais “máfias chinesas”, eventualmente com um pé na legalidade, outro na criminalidade.

»»»»» 2ª observação) A pornografia não é propriamente ilegal, pelo menos nas democracias ocidentais (sê-lo-á na Rússia actual, não sei). Não é ilegal e constitui, até, uma das indústrias economicamente mais rentáveis, no domínio das publicações, da internet, dos gadgets, das sex-shops e dos “filmes para adultos”. Ilegal vem a ser, por outro lado, a venda de armamento fora do circuito oficialmente instituído, sendo no entanto um dos “sectores dinâmicos” de algumas economias e, diga-se, perversamente dinâmicos.

»»»»» 3ª observação) Com diferentes pesos, a ciberfraude usada nas recentes eleições dos actuais presidentes estaduniense, Donald Trump, e francês, Emmanuel Macron, constitui um primeiro e tímido ensaio do que pode vir a ser esse negócio no futuro, sabendo-se hoje que, para além do seu alcance manipulatório, se torna mais rentável uma apelativa, escandalosa notícia falsa (via número de cliques no like), do que uma notícia verdadeira, veiculada por jornalistas responsáveis: é conhecida a história do hacker que, instalado na Macedónia, produziu notícias absurdas, sobre Hillary Clinton, a coberto de uma quase-igual sigla da CNN, pura falsificação, e recebeu em casa cheques bem-providos graças à quantidade de cliques no like.

»»»»» Enfim, chego à objecção, a única que me ocorre. Na Rússia de Vladimir Putin, a tendência conhecida é a da concentração de poderes e controlo da comunicação social e da economia, tendo-se conseguido uma quase-total neutralização dos opositores ao regime. No entanto, como os regimes concentracionários tendem a ser corruptos, é provável que o actual regime russo viva, como as máfias, com um pé na legalidade, outro na criminalidade.

 

Rússia 1 001

»»»»»»»»»» [IMAGEM: pormenor de uma foto jornalística (Ilya Naymushin  / REUTERS).]

 

»»»»» Referência: o texto transcrito consta da página 155 de obra de John Gray Sobre humanos e outros animais, tradução de Miguel Serras Pereira, Lua de Papel, 2007 (título original: Straw dogs, Granta Publications, 2002).

 

 

António Sá

14.08.2017/23.09.2017

 

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Pluriplicante 2

Pluriplicante 2 (… sobre o acaso)

Esboços pluriplicantes das razões e desrazões, dos retratos e desretratos dos cotidias.                                                          

 

»»»»» Tudo o que de fundamental, estruturante, acontece na vida de um ser humano é ocasional — desde logo o seu nascimento e respectivas condições envolventes. Deste postulado poderá decorrer um discurso explicativo interminável, desde a natureza do universo até às circunstâncias culturais de agora, neste tempo e neste lugar. Uso a palavra culturais enquanto designação genérica das instâncias política e social, que circunscrevem os seres humanos nas suas diversas geografias.

29.07.2017

 

»»»»» Temos necessidade de crer que fazemos escolhas livremente, mas as escolhas que fazemos estão determinadas por factores que nos escapam, inscritos na estrutura da nossa personalidade. Nem é preciso ler-se todo o Freud para se ter esta intuição — intuição que Freud decifrou em termos analíticos.

19.08.2017

 

»»»»» Nota: ambas as considerações acima expostas ocorrem-me a partir da leitura de livros de John Gray: The silence of animals, Penguin Books, 2014 (Allen Lane, 2013); Sobre humanos e outros animais, tradução de Miguel Serras Pereira, Lua de Papel, 2007 (título original: Straw dogs, Granta Publications, 2002).

 

António Sá

19.08.2017

 

notas & noções 7 (2ª série)

notas & noções 7 (2ª série)

 

não há consolação

»»»»» Dois usos para a palavra sentido, que inscrevi nas notas & noções anteriores: o uso leve, em frases como “com esta vitória, a minha vida ganhou novo sentido”, caso em que escrevo sentido sem aspas, e leio como significado (ou, extensivamente, objectivo, propósito); e o uso pesado, em “há um plano e um sentido divinos para a Criação”, e aqui sentido aponta para finalidade, fins últimos, sendo que, neste caso, escrevo a palavra com aspas, deixo assim em suspenso o seu valor significativo, mas trata-se de um uso particular-meu das aspas.

»»»»» E não retomo a clarificação do meu desentendimento com o “sentido”, enquanto “sentido” universal da vida, noção que considero inválida: já clarifiquei tal desentendimento, e até profusamente, em quase todas as notas & noções anteriores. Avanço agora para o aspecto subsequente, que consiste em expor as consequências ou, de modo mais preciso e mais justo, as autoconsequências desta invalidação. Aflorei-as já em notas & noções 2, onde escrevi:

»»»»» E não é, não tem de ser, com um sentimento de desconsolo, nem qualquer modalidade do desespero, que vivo tal ausência de “sentido”, não estou a abdicar do que os meus sentidos despertos actualmente me proporcionem, nem do prazer do raciocínio, da reflexão, da escrita. Será antes um sentimento de tranquilidade, de paz cósmica, assim entregue, sem teias de aranha místicas, nem culturais, na cabeça, entregue assim ao meu devir no seio do devir do universo.

»»»»» E também, de modo mais sucinto, em notas & noções 4:

»»»»» Não ressinto, enquanto falta, a ausência de “sentido” de tudo o que existe, enquanto existe, mas antes o considero ambiente natural humano em que tranquilamente me movimento, líquido amniótico.

»»»»» Tanto num excerto como noutro, descrevo um sentimento construído, ou seja, resultante de uma longa elaboração mental e sentimental, decorrente do processo de viver, elaboração em parte intuída e subterrânea (como se fosse pensando, mas não me esforçasse por trazer isso a uma luz clara); e em parte consciente e lúcida. Enfim, uma intuição-pensamento, ciclicamente mais intuição ou mais pensamento, que se sedimenta no que traduzo pela fórmula do início: sentimento construído. Mas o processo de construção, lento que foi, foi semeado de momentos e fases desse desconsolo-que-não-tem-de-ser, do convívio estreito com o absurdo do tempo e a obsolescência da matéria. Actualmente pacifica-me tal assunção, inspira-me essa paz cósmica, como enunciei; constitui o líquido amniótico onde me movo. É um sentimento construído estável, e nele confio, mas nada me garante a sua permanência, visto que nada no espírito humano pode ser considerado permanente. E não exclui uma espécie de luta constante contra um ocasional, acaso recorrente desânimo, face a cada mínima tarefa cotidiana que há que realizar-para-quê?, porque estar activo é condição necessária enquanto ser-individual e ser-em-relação. Desconsolo provisório, quando se alinham inúmeras tarefas repetitivas, de organização, de sobrevivência. No ensaio The silence of animals, John Gray aponta o caso do imperador Marco Aurélio (121-180) que, tendo de assegurar o cumprimento dos seus deveres, se fortalecia na ideia de que cada pessoa tem um lugar, um papel a desempenhar no esquema “natural” do mundo, e assim institui a natureza enquanto modo ordenador do mundo. No entanto… Marco Aurélio considerou só um aspecto da natureza… Esqueceu que a natureza é não só o modo da ordem, da harmonia, mas ainda o modo da desordem, da entropia.

»»»»» Tal como não encontro consolação no conceito cristão de um “sentido divino”, também esta consolação “natural” (tanto de natureza social, quanto da ordem dos acontecimentos), que Marco Aurélio adopta, não me é suficiente, ainda que a paciência (atributo do “justo”, na sua terminologia) seja um instrumento indispensável na condução da vida.

»»»»» Identifico-me antes com a configuração freudiana, exposta no ensaio acima citado, que consiste em aceitar simplesmente o caos. E acrescento e particularizo: o caos e a dissolução das sociedades, das nações, do universo; caos e dissolução finais, tão inevitáveis quanto irresolúveis e, para mim, não passíveis de efeitos mágico-transcendentais. No quadro freudiano, a psicanálise não se destinaria a “curar” os seres enquanto indivíduos, mas levá-los a aceitar o seu destino pessoal, constitucionalmente inescapável desde a primeira infância; pressupondo, entretanto, uma margem de liberdade e livre decisão.

»»»»» E acrescento enfim que Marco Aurélio, com muita propriedade, manifesta uma concepção do binómio caos / ordem, no seguinte parágrafo:

»»»»» “Estarás tu descontente da sorte que te coube no grande todo? Lembra-te então da disjuntiva: ou há uma providência ou mero concurso de átomos, e repassa as provas com as quais te demonstravam que este mundo está ordenado como uma cidade.”

»»»»» Bons tempos seriam esses, os de Marco Aurélio, em que a ordem da cidade… e do império… se afiguravam coisas fiáveis. Pela minha parte, confio mais no “mero concurso de átomos”; concurso este, repito, sem desnecessários “efeitos especiais” de teor mágico-transcendental.

 

 

»»»»» NOTAS:

»»»»» 1) Fiz recurso, como ficou escrito, ao ensaio de John Gray The silence of animals, on progress and other modern myths, Penguin Books, 2014 (Allen Lane, 2013).

»»»»» 2) O parágrafo de Marco Aurélio foi colhido em Pensamentos (Livro IV, 3). Utilizei a edição que tinha mais imediatamente disponível, da Editorial Verbo / Livros RTP, 1971, tradução de João Maia.

 

 

António Sá

[11.02.2017/05.03.2017]

notas & noções 5 (2ª série)

notas & noções 5 (2ª série)

 

a comum necessidade de um “sentido”

»»»»» Tenho afinal de ir-estando-enquanto, como ficou implícito em notas & noções precedentes, sem o sustento nem a morada de um “sentido”, pelo menos um “sentido” geral para a existência, incluindo assim no sem-sentido universal o “sentido”-para-mim ou, mais exactamente, o “objectivo” ou o “projecto” particular, que eu me tenha encontrado para uso próprio. Porque obviamente um projecto-para-mim que eu me forje não tem validade universal, nem sendo tão-só o projecto de me manter em vida: este mesmo só projecto, o de cada ser vivo conservar a vida, não constitui um “sentido”, realiza apenas aquilo que advém da emergência inútil do cosmos e sua respectiva expansão, além de que tal projecto ultrapassa o poder efectivo dado a cada um, que não pode projectar manter-se vivo: está todo o tempo de vida exposto à extinção.

»»»»» Assim, com a vida entre os parênteses da sua perecibilidade, como todas as vidas, posso conceder que forjei um “sentido”-para-mim, gerado na imersão cultural em que cresci e me formei, “sentido” (a que melhor chamo projecto), que só pode ser singular e precário (depende do meu devir mental e físico) e perecível (posso achar-me na contingência de o anular; em todo o caso, ele extingue-se com a minha morte).

»»»»» Sob um ponto de vista racional, um “sentido” global, universal, não é perceptível ou concebível pelo ser humano, e portanto, estritamente considerando, ele não existe, sendo que este é o ponto de vista de facto válido, não contando com fantasias e delírios religiosos e místicos em todas as suas formulações e variantes, dada a impossibilidade de validar tais construções subjectivas, por muito que se queiram autovalidar com recurso a inflações retóricas, as do mistério e da transcendência, de que tais construções discursivas estão armadas e armadilhadas.

»»»»» Entretanto, e não pondo de lado a minha convicção intuitiva e racional do sem sentido do universo e da vida, atendo a que os seres humanos têm necessidade, pelo menos enquanto seres conscientes-da-vida-e-da-morte, de ter ou de se constituir um “sentido”: é nesta necessidade que radica a emergência religiosa, de criação anónima, emanando de um espírito colectivo. Não se conhecem agregados humanos, desde as mais remotas idades, que não engendrem um culto dos mortos, um culto a qualquer transcendência. Em tempos historicamente recentes, as ficções ideológicas e as novas mitologias disputam o seu predomínio com as religiões na criação de “sentidos” universais para a vida: no caso das ficções e dos mitos recentes, não tanto “sentidos” divinos, antes teleológicos. O que sempre acontece, porque comummente o ser humano não pode estar-na-vida, ou seja, estruturar o seu curso de vida, sem a ilusão de um “sentido”; esta ilusão é como um instinto protector, destinado a garantir a estabilidade psico-emocional humana. Não será aconselhável, no caso de ser possível, o que não é evidente, retirar a qualquer humano esse conforto no divino ou no teleológico, sem o qual o seu equilíbrio funcional eventualmente entraria em colapso. É necessária alguma experiência vital e alguma elaboração mental, enfim um equipamento psíquico e existencial, para se ser capaz de dispensar ilusões e ficções.

»»»»» E considero que os mitos têm o seu papel e a sua bondade na criação de objectivos e projectos, mitos enquanto mitos, ou seja, edifícios mentais. Por exemplo, tem a sua terna bondade o mito expresso na canção Imagine (John Lennon), mito pacifista, de carácter utópico, da harmonia do mundo, mundo desprovido de autoritarismos, que destroem os equilíbrios e as felicidades; harmonia tanto concebida a nível social, quanto entendida num âmbito inter-nações. Os mitos, arcaicos e recentes, não dispensam a análise crítica: aparecem revestidos de gangas ilusórias, totalitárias, transcendentais. Lembre-se o mito ariano-nazi da “raça pura”; tal como os mitos, aqui e ali reivindicados, do “povo escolhido de Deus” (Camões andou por aqui, quanto ao povo lusíada). Roland Barthes interpretou criticamente, em Mythologies, mitos actuais cotidianos. Convém interpretá-los, analisar a sua substância à luz do nosso entorno e da nossa existência, mas não deixam de ser um auxiliar, omnipresente e disponível, na criação ou adopção de perspectivas para uso particular.

 

 

 

 

»»»»» NOTAS:

»»»»» 1) O enredo conceptual constituído pelos termos ilusão, ficção e mito foi colhido no ensaio de John Gray The silence of animals, on progress and other modern myths, Penguin Books, 2014 (Allen Lane, 2013).

»»»»» 2) De Roland Barthes refere-se o ensaio Mythologies, Éditions du Seuil, 1957.

 

 

António Sá

[11.02.2017/15.02.2017]

 

notas & noções 1 (2ª série)

notas & noções 1 (2ªsérie)

 

sobre o “sentido” da vida

»»»»» As nossas vidas individuais são partículas ínfimas de matéria soltas no cosmos: expansão e deriva cósmicas.

»»»»» Schopenhauer considera a nossa vida enquanto “um episódio que perturba inutilmente a beatitude e o repouso do nada”. Mas este modo de considerar afigura-se-me dramaticamente antropocentrado: para a “beatitude” do universo, o “episódio” da emergência humana é uma lava espúria no devir da voragem sideral, e não “perturba”, de nenhum modo, esse devir de que é parte.

»»»»» Sendo que não vem junto, com tal expansão e deriva cósmicas, qualquer “sentido” para as vidas humanas, na sua emergência, ou para a vida em geral, tudo inutilmente emergente. O ser humano, único “animal doente”, na pertinente expressão de Freud, fantasia inúmeros “sentidos” para a vida, e historicamente vai deixando testemunho desses “sentidos”, úteis para suportar o fardo da doença-da-vida, mas todos eles fantasias, até muito bem imaginadas, que se vão sucedendo e substituindo ao longo dos milénios.

»»»»» Sendo todos os “sentidos” fantasias inconsistentes e assorties, oferecias aos gostos de cada-uns, ainda que úteis para a comum psicologia dos humanos, resta a evidência da reprodutibilidade, que não pode constituir um “sentido”, porque vem com o pacote da deriva cósmica em expansão infinita, tal como Stephen Hawking a probabilizou. E tal como o universo se encontra em expansão ad infinitum, assim no planeta latinamente baptizado terra toda a vida existente se reproduz, sem “sentido” cognoscível, infinitamente ou, pelo menos, até que a terra arrefeça e se extinga.

»»»»» Mas nos diferentes magmas de cultura, conforme as latitudes, em que os seres humanos nascem e se desenvolvem, há “sentidos” larvarmente assinalados para cada-uns, mormente os fantasiosos “sentidos” místico-religiosos: assinalados, mais que escolhidos. Os “sentidos” para a vida são como fontes de água fresca, ou rios, ou torneiras, onde desde criança cada-uns se desalteram — e têm o mesmo valor que essas mesmas águas correntes.

 

»»»»» NOTAS:

»»»»» 1) Este texto foi escrito em convalescença no Hospital Curry Cabral, entre 10.12.2016 e 17.12.2016, excepto o segundo parágrafo, redigido já a 03.01.2017.

»»»»» 2) Traduzi, a partir da versão francesa, a frase de Schopenhauer, que ocorre na página 31 da recolha Douleurs du monde, pensées et fragments, Édition Rivages, 1990.

»»»»» 3) A expressão de Freud é citada por John Gray, no ensaio The silence of animals, on progress and other modern myths, Penguin Books, 2014 (Allen Lane, 2013).

»»»»» 4) A probabilidade expansiva ocorre em Stephen Hawking: O universo numa casca de noz, Gradiva, 2ª ed. 2002 (1ª ed. ingl., 2001).

 

 

António Sá

[10.12.2016/03.01.2017]

Flash 5

Flash / 5

 

»»»»» I’m irrational, so irrational! You’re irrational, so irrational! Toda a gente tão irracional!

»»»»» Everybody believes irrational items. Irrational believers! Todos e todas crêem em coisas irracionais. É tão irracional! Todos y todas lo creen — en irracionalidades. En las horas. Las horas irracionales.

»»»»» As horas são abstracções irracionais. Hours are irrational abstractions. Why are they so irrational ? Por que são as horas tão irracionais?

»»»»» Se tudo não fosse irracional, ninguém acreditava nesse tudo. All absolutely irrational. If it wasn’t irrational nobody would believe it. You’re so irrational! I’m so irrational!

 

»»»»» [Clues:”Theories of human rationality increasing through social evolution are so groundless today as they were…”, comentário de John Gray a propósito das teorias de Herbert Spencer, no ensaio The silence of animals, 2013, p.79.]

 

António Sá

[21.11.2016]

Flash 2

Flash / 2

 

»»»»» A logic, rational pattern explains the universe. A logic, rational pattern does not explains the universe. Submete-se tudo o que acontece a uma racionalidade. Submete-se tudo o que acontece a uma não-racionalidade. Onde pára o universo? Where lays the universe? Onde dorme? Num pequeno berço-de-balanço embalado pela sua mãezinha.

 

»»»»» [Clues: “Koestler (…) dedicated a part of his life to a pattern in history, only to find one that was outside time.” (comentário de John Gray, no ensaio The silence of animals, editado em 2013, sobre o trajecto intelectual de Arthur Koestler); a mãe que, entre episódios, embala o berço no filme Intolerance (D.W. Griffith, 1915).]

 

António Sá

[27.06.2016]

notas & noções.13

notas & noções.13                                                                                    

»»»»» Intuitivamente, é-me reconhecível a ausência de qualquer direccionalidade universal. A intuição dá-me assim a resposta para a pergunta formulada em “notas & noções” anterior: “O existente, todo o existente — excrescência de quê? — segue numa direcção determinada?”

»»»»» Do mesmo modo, não reconheço qualquer direccionalidade para o afã da espécie humana. Daí que “progresso” se me afigure uma figura mítica (*). Há apenas — e não é pouco — crescimento, expansão enquanto destino cego (**) para a humanidade.

Notas:

»»»»» (*) A formulação “myth of progress” pertence a John Gray, e ocorre no decurso da sua reflexão sobre a novela An Outpost of Progress (1896) de Joseph Conrad. (Cf. John Gray, The Silence of Animals, Penguin Books, 2013, p.7).

»»»»» (**)  “Humankind is, of course, not marching anywhere” [“A espécie humana, é claro, não se encaminha para algum lugar”]. (Idem, ibidem, p.7).

António Sá

[12.08.2015]